quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ser inquieto

Você já parou para pensar o quanto difícil é ser uma pessoa inquieta?
Quando me refiro a ser inquieto, me refiro a possuir um cérebro que nunca “desliga”, uma personalidade que nunca “relaxa”, aos que vivem para aguardar o futuro, aos que nunca estão contentes, aos que vivem sonhando com algo novo sem curtir o bastante os sonhos já realizados, aos que exigem demais de si próprios que as vezes se cansam de si mesmo.

Conversando com uma colega de trabalho essa semana, que é canadense, ela me disse que se impressiona consigo mesmo, pois nunca está feliz, sempre quer algo mais, sempre diz que ficará contente quando atingir o objetivo X e quando o atingi em 5 minutos já parte para o próximo desejo e assim a vida segue. Cometei que acredito que é a nossa geração, somos a geração das mentes inquietas, geração dos descontentes, nada nunca é o suficiente e estamos sempre vivendo no futuro, nunca no presente.

Comentei com ela que quando viajei a Tailândia no ano passado, me impressionei com o quanto feliz é a população, de que acredito que o sentimento e a paz de espírito de conseguir encontrar a felicidade diariamente nas pequenas coisas deve ser algo realmente maravilhoso, o que você sente quando chega em um lugar onde os valores  ainda são verdadeiros, ainda fazem parte do ser feliz com o que você possui, de não deixar que a preocupação de como será o futuro apague o brilho e a importância do dia de hoje é maravilhosa e inexplicável. Nunca pensei que fosse me impressionar tanto com a cultura, os valores, as atitudes, a forma de encarar a vida de uma população como me apaixonei com a Tailândia.

Chegamos à conclusão de os seres inquietos são “filhos” das sociedades desenvolvidas, pois as nações subdesenvolvidas se contentam com “menos”, conseguem valorizar muito mais o que possuem, não se lamentam tanto pelo que não têm, possuem expectativas limitadas e mais realistas, vivem contente e em paz no presente e encaram o futuro como algo “normal”.  

Existe uma expressão em inglês que eu adoro que diz Take it as it comes, no sentido de lidar com as coisas quando elas acontecerem/conforme elas forem ocorrendo. Vai dizer que ter a capacidade de pensar assim, de agir assim não é o sonho de muita, mas muita gente?  E agora te pergunto qual é a receita, qual é o segredo para conseguir aderir a essa forma maravilhosa de ver as coisas?

Eu tenho tentado yoga, meditação, aromaterapia, comida terapia (como muito quando estou ansiosa hehehe), amigo terapia (coitados dos meus amigos confidentes, falo mais que a nega do leite hehehe) e até shopping terapia, mas nada tem funcionado.

Esse texto é para te dizer que se você sofre da síndrome do inquieto, você não está sozinho e que embora “sofremos” por sermos assim, fazemos parte da “fatia” revolucionária desse mundão, pois a inquietação é capaz de nos levar a lugares maravilhosos, a experimentar o desconhecido, a ariscar alto, a ir mais longe a viver uma vida recheada de tentativas :)

O mundo precisa de seres inquietos, mas eu sonho com o equilibrio entre quem eu sou e quem o povo thailandes é! 
   


sábado, 21 de abril de 2012

Precisa ser divulgado!

RESPOSTA À REVISTA VEJA

Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”.

É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que geram este panorama desalentador. Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira.

Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que pais de famílias oriundas da pobreza trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras.

Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola. Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores, e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”. Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou, o que é ainda pior, envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida.

Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.

Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais.

Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores?

E, nas aulas, havia respeito, amor pela Pátria.. Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência.

Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.

Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a "passeios interessantes", planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero.

E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom.

Além disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração;

Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40h semanais.

E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário.

Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que se esforcem em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”,”puta”, “gordos “, “velhos” entre outras coisas.

Como isso é motivante..e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave.

Temos notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares.

Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite.

E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.

Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque há disciplina. E é isso que precisamos e não de cronômetros.

Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se. Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade..

Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos se sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo

Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!

Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até agora não responderam a todas as acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO.

Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.

Vamos fazer uma corrente via internet, repasse a todos os seus! Grata

Vamos começar uma corrente nacional que pelo menos dê aos professores respaldo legal quando um aluno o xinga, o agride... chega de ECA que não resolve nada, chega de Conselho Tutelar que só vai a favor da criança e adolescente (capazes às vezes de matar, roubar e coisas piores), chega de salário baixo, todas as profissões e pessoas passam por professores, deve ser a carreira mais bem paga do país, afinal os deputados que ganham 67% de aumento tiveram professores, até mesmo os "alfabetizados funcionais".

Pelo amor de Deus somos uma classe com força!!! Somos politizados, somos cultos, não precisamos fechar escolas, fazer greves, vamos apresentar um projeto de Lei que nos ampare e valorize a profissão.

Vanessa Storrer - professora da rede Municipal de Curitiba!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A arte de viver juntos :)

Recebi esse texto por email de uma amiga muito querida, achei "a lenda" muito verdadeira e concordo com a lição que a mensagem nós traz. Assim, resolvi postar no blog, pois não consigo entender/aceitar/conviver com a idéia de que algumas pessoas trasformam o '"amor" que possuem por alguém em um grande egoísmo, não respeitando as decissões, sonhos de seus amados! E quando digo "amados" não me refiro só ao amor de casais, do matrimonio, mas também ao amor de pais e mães que não compreendem que os filhos crescem e saem do ninho,  que possuem seus prórpios sonhos e objetivo!

Não me canso de dizer que o conceito de felicidade é diferente para cada pessoa, e o que te faz feliz não precisa ser aprovado, fiscalizado ou apoiado por ninguém, mas sim RESPEITADO!!! Nessa vida cada um faz suas escolhas e cedo ou tarde "arca" com as consequências, sejam elas boas ou ruins.

Segue o texto que recebi :
 
Conta uma lenda dos índios sioux que, certa vez, Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda do velho feiticeiro da tribo e pediram:

- Nós nos amamos e vamos nos casar. Mas nos amamos tanto que queremos um conselho que nos garanta ficar sempre juntos, que nos assegure estar um ao lado do outro até a morte. Há algo que possamos fazer?

E o velho, emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:

- Há o que possa ser feito, ainda que sejam tarefas muito difíceis. Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte da aldeia apenas com uma rede, caçar o falcão mais vigoroso e trazê-lo aqui, com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo, deves escalar a montanha do trono; lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias. Somente com uma rede deverás apanhá-la, trazendo-a para mim viva!
Os jovens se abraçaram com ternura e logo partiram para cumprir a missão. 

No dia estabelecido, na frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves. O velho tirou-as dos sacos e constatou que eram verdadeiramente formosos exemplares dos animais que ele tinha pedido.
- E agora, o que faremos? Os jovens perguntaram.
- Peguem as aves e amarrem uma à outra pelos pés com essas fitas de couro. Quando estiverem amarradas, soltem-nas para que voem livres.

Eles fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros. A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram apenas saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela impossibilidade do vôo, as aves arremessaram-se uma contra a outra, bicando-se até se machucar.

Então o velho disse:
-Jamais esqueçam o que estão vendo, esse é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se como também, cedo ou tarde, começarão a machucar um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados.
 
Libere a pessoa que você ama para que ela possa voar com as próprias asas. 
Respeite o direito das pessoas de voar rumo ao sonho delas. 
A lição principal é saber que somente livres as pessoas são capazes de amar.

sábado, 31 de março de 2012

Viagem ao Brasil

Esse texto é baseados em experiências próprias e em experiências de amigos brasileiros que também vivem permanentemente no exterior, em especial uma amiga muito querida que vive nos Estados Unidos, com quem tenho tido o prazer de compartilhar desde o inicio a minha jornada de vida longe do Brasil e, é claro tenho a alegria de estar “presente” na jornada dela. Essa amiga, recentemente foi passar férias no Brasil e assim que retornou para casa me ligou contando tudinhoooo, então achei que a saudade do Brasil , a alegria de viver no exterior e principalmente a mistura das duas coisas mereciam uma publicação no blog então ai vai...

VIVER permanentemente no exterior, refiro-me a etapa de quando você não é mais um estudante ou viajante, mas sim quando o seu mundo é nesse novo país, quando a vida é real, você passa a aprender sobre política, sobre as leis, sobre os custos dessa vida real, sobre a cultura local de uma forma detalhada, aprende como que é realmente conviver com as pessoas dessa nova cultura a qual agora você também faz parte, sobre os hábitos, manias, valores, forma de pensar dos “locais”. Ai é quando você forma conclusões, seus conceitos sobre o país e principalmente sobre as pessoas que habitam a sua pátria escolhida, e é claro que inevitavelmente durante esse processo de FAZER parte disso tudo, sua formação de conclusões e opiniões a respeito de tudo é feita comparando com o seu país, pessoas e a sua cultura de origem.

No inicio, suas conclusões são bem claras e você tem um opinião muito definida sobre tudo e todos, consegue perceber exatamente as diferenças entre sua realidade antiga e a nova, fica feliz e até aliviado de perceber que embora sua nova realidade não seja um conto de fadas, tudo funciona, as leis são leis pra todos, o dinheiro dos impostos que você paga são realmente aplicados da forma como você sempre achou que era certo (saúde, educação, bem estar da população, estradas perfeitas sem nenhum buraquinho, calçadas impecáveis, tudo limpo, tudo muuuuito limpo) e a sensação é exclusivamente de que você fez a escolha certa, ter ido viver nesse novo país, nessa nova realidade foi uma escolha genial, você tem a certeza de que nuuuuunnnnnca mais voltará a viver no país em que nasceu, nunca mais voltará a viver no Brasil, pois viver no Brasil é para os loucos, você não consegue entender como conseguiu viver lá durantes os anos que viveu, não consegue entender como as pessoas que você conhece conseguem viver lá...ai vem uma grande sensação de alivio, conforto, a sensação de ter tirado a sorte grande, de que todos os “perengues” que você passou para chegar nesse ponto valeram a pena.

O tempo vai passando, os anos vão passando e a cada vez que alguém te pergunta: How long have you been here? (Quanto tempo faz que você está aqui?) teu coração parece que vai saltar pela boca quando você percebe que a resposta não é mais 6 meses, um ano, um ano e meio, dois anos, mas sim quase cinco anos!!!!!! Aliás, passado dois ou três anos, inicia-se o processo contrário ao que aconteceu no início, você começa a achar defeitos nas coisas, o fato do país ser muito verde e lindo já não te impressiona mais, a limpeza, organização, governo menos corrupto do mundo, respeito, etc já fazem parte do dia a dia portanto, também não possuem o mesmo impacto gigantesco como antes, já não fazem mais teus olhinhos brilharem como antes. A população de educada passa a ser chata, fria,  infeliz, uma população que só sabe reclamar, povo de mentalidade pequena, povo mesquinho, falso que diz por favor e obrigado para tudo só porque é hábito, não porque realmente tem educação e respeito ao próximo. Você começa a questionar sua escolha, pensa que deveria voltar ao Brasil, ficar próximo das pessoas que ama, dos amigos, poder comer tudo que tem saudades, ter todas as frutas e vegetais fresquinhos que só um país tropical pode te oferecer, tem saudade da sua cultura, do quanto amável o povo brasileiro é, do quanto bom é ter todo mundo reunido para um bom churrasco de domingo, o quanto maravilhoso é ter uma roda de chimarrão comendo uma deliciosa cuca de coco, começa a pensar que o Brasil não é tão ruim assim, que quem sabe você conseguiria viver em sua pátria imposta novamente, que talvez essa SIM é que seria a melhor decisão, a escolha certa.  

 Assim esses sentimentos de dúvidas sobre a sua escolha começam a se misturar com os sentimentos iniciais, tem dias que você ama sua pátria escolhida e fica orgulhoso de você mesmo por ter coragem e garra para viver do outro lado do mundo, outros dias acha que a escolha foi uma grande bola fora que deveria era mesmo ter ficado com o seu chimarrão e cuca de coco, com teu churrasco, com o rodízio de pizza e ter fingido (como a maioria dos brasileiros faz) que o governo da sua pátria imposta não é um dos mais corruptos do mundo, que o Brasil não é um país de injustiças, que a futilidade e consumismo do povo brasileiro não te irritam tanto assim, que a saúde e educação não são uma bosta (perdão o termo, mas sou sincera).

Então, quando você já não agüenta mais viver com essa dúvida e acha que teu cérebro vai ter um curto circuito pensando se foi certo ou errado ter ido viver na pátria escolhida, quando a saudade das coisas boas do Brasil está quase fazendo teu coração parar de bater, você viaja ao Brasil, tira férias, vai comer tudo que tinha saudade, vai visitar a todas as pessoas que queria que morassem a uma quadra de distância de onde você tem morado nesses últimos cinco anos, come cuca de coco, um bom churrasco, mata toda a saudade, se enche de alegrias, coloca todo o papo em dia, fica com o coração novinho em folha novamente.

E o melhor de tudo não é isso, pois você descobre que só de colocar o pé no aeroporto no Brasil o seu cérebro passa por um processo de regeneração espontânea, pois só de pisar em solo Brasileiro você já percebe que estava reclamando de barriga cheia sobre sua pátria escolhida e que lá sim é o seu lugar, que a decisão de viver do outro lado do mundo foi SIM a mais sábia decisão que você tomou, que a impressão de que você nunca pertenceu ao país onde nasceu não era só coisa da sua cabeça, mas sim a verdade mais verdadeira.

E ai você come, bebe, abraça, beija o povo e quando vê ta louco pra correr de lá, para dar no pé para voltar a sua realidades que é tão mais colorida, a conviver com um povo que pede por favor e desculpa para tudo, para o lugar onde tudo funciona, para o país onde os direitos e deveres são iguais para todos, o lugar onde você  pode ser quem você é, pode fazer suas escolhas sem ninguém dar palpite, o lugar onde as pessoas não olham se sua roupa é de marca, se seu carro é importado, o lugar que você se sente seguro, importante, realizado, em paz,  o lugar onde você se sente em casa, para a pátria que é a sua pátria, ao país que você tem muito orgulho de chegar no aeroporto e passar na imigração como cidadão, ao país que você acolheu chamar de seu, o país que te aceitou, te acolheu quando viver no Brasil já não servia mais para você. E essa sensação é única e inexplicável, só quem já passou é que sabe como é senti-la.

Obrigada minha amiga querida por me ligar e compartilhar tua experiência de viagem ao Brasil, e principalmente por me fazer relembrar da minha viagem ao Brasil e do quanto tenho reclamado de barriga cheia sobre a minha pátria escolhida.

Um beijo enorme aos que amo e sinto saudades, mas a vida real é aqui nesse país far far away !

Com carinho,
Adri

quinta-feira, 1 de março de 2012

Brasil: amor e ódio

Tenho uma relação com o Brasil de amor e ódio, isso não é novidade para os que me conhecem de verdade, coisas como o 'jeitinho brasileiro' de ser me embrulha o estômago, a falta de cultura e educação me deixa zonza e a forma de parecer ser quem não é me faz vomitar, literalmente. O fato é que sempre me senti um peixe fora d`agua no Brasil, pois não sei dar tapinha nas costas, não sei dar sorrizinho simpático às pessoas que não gosto, não sei não dizer exatamente o que penso, posso talvez não dizer nada, mas se for dizer algo será sempre minha opinião verdadeira, é uma tarefa impossível dizer algo só porque é o que os outros querem ouvir. Sempre fui assim, pra mim as coisas são ou não são, ou é oito ou oitenta.

Lembro exatamente o momento da minha vida em que cheguei à conclusão que havia nascido no Brasil por um acidente geográfico. Foi quando trabalhava em uma empresa “bem conceituada” onde praticamente 95% das pessoas do departamento em que eu trabalhava eram falsos e ‘puxa sacos’, o ambiente era recheado e coberto de muita hipocrisia, na época pensava que seria um favor para a humanidade se o prédio pegasse fogo com as portas trancadas e com os 95% do povo insuportável dentro. Não preciso dizer que o ano que trabalhei lá foi o mais longo da minha vida, mas só recentemente quando alguém publicou uma foto da ‘equipe’ no Facebook dizendo que tinha saudades, e a foto teve muitos comentários dos funcionários da época, foi que me dei conta de duas coisas muito importante, a primeira é que essas pessoas são da forma como elas agem, não estavam só fazendo ‘média’ o é que ainda mais revoltante, pois como alguém pode ser ISSO! A segunda coisa que aprendi  é que eu deveria de certa forma agradecê-los, pois eles fizeram parte do meu processo de descoberta, descobri quem/como eu NÃO queria ser/ter ao meu redor.    

Então digamos que essa publicação do blog é para a tal ‘equipe’.....

Agora fica a grande ‘sacada’ da vida, nada acontece por acaso, repito:
ABSULUTAMENTE NADA NA VIDA ACONTECE POR ACASO.

Até mesmo as situações/coisas difíceis, indesejadas, insuportáveis acontecem por um motivo, claro que a maioria não faz sentido durante o momento em que estamos vivendo as, mas o tempo traz as respostas. Recentemente aprendi algo ainda mais interessante, cheguei à conclusão de que na vida a gente aprende muito mais com os sonhos/objetivos que não conseguimos realizar/atingir do que com os que conseguimos. O importante é tentar, afinal ficar no canto chorando as pitangas, envelhecer e olhar para traz e ver que não teve coragem de tentar deve ser algo desesperador, mas tentar com garra, dar 110% de si mesmo e não alcançar é humano. E tenha certeza que se não for possível atingir tua meta é por que não era para ser.

  
O que importa é ver a vida com olhos coloridos, pensar no bem estar maior, ser você mesmo indiferente do que os outros pensam, ter seus valores bem definidos e não se deixar influenciar pela lavagem cerebral do momento. A vida é muito curta e eu garanto que é possível encontrar um lugarzinho nesse mundão onde seus valores serão aceitos, onde você poderá ser você mesmo, basta ter coragem para procurar!


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Nada acontece por acaso e tudo têm a hora certa :)

Amo essa mensagem e acredito em tudo que ela diz, embora  já seja muito conhecida resolvi publicar no blog com a intenção de podermos reler quando a alma estiver inquieta e o coração aflito.
Desejo muita luz, paz e amor no caminho de vocês.
Com carinho, Adri



"Você nasceu no lar que precisava nascer, vestiu o corpo físico que merecia, mora onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com o teu adiantamento.
Você possui os recursos financeiros coerentes com tuas necessidades... nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.
Seu ambiente de trabalho é o que você elegeu espontaneamente para a sua realização.
Teus parentes e amigos são as almas que você mesmo atraiu, com tua própria afinidade.
Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.
Você escolhe, recolhe, elege, atrai, busca, expulsa, modifica tudo aquilo que te rodeia a existência.
Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes. São as fontes de atração e repulsão na jornada da tua vivência.
Não reclame, nem se faça de vítima. Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograma tua meta, busca o bem e você viverá melhor.
Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."

(Chico Xavier)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A verdadeira igualdade social

Uma das coisas que mais me impressiona e me faz ter orgulho e prazer de viver na Nova Zelândia é ver que a sociedade ainda não foi contaminada pelo vírus do consumismo e da classificação social. A NZ é um país onde a igualdade social é muito visível e verdadeira, não temos essa questão de classes sociais, ninguém se refere a ninguém como sendo de classe alta, ou classe média, ou o que é pior classe média baixa ou alta, pois eles não possuem essa necessidade doentia de rotular as pessoas para saber a qual grupo eles pertencem, todos fazem parte da mesma sociedade, com os mesmos direitos, deveres e todos possuem as mesmas oportunidades. 

 A sociedade kiwi não coloca rótulo em profissões ‘menos favorecidas’, ser garçonete, pintor, pedreiro ou faxineira é trabalho honesto e ninguém se torna invisível por não ser professor, engenheiro ou advogado. O termo ‘profissões menos favorecidas’ não existe no vocabulário kiwi, o povo daqui não vive de status, não existe a roupa da moda, as tendências da moda aqui são exatamente o que você pensou em vestir quando acordou e ninguém vai te olhar dos pés a cabeça porque sua blusa é amarela, sua é saia rosa e teu sapato roxo, se é isso que te faz sentir bem ninguém tem nada a ver com isso. Não faz parte da cultura kiwi, julgar as aparências, o povo não vive de status seja social ou material, é notório que as pessoas vivem realmente da forma como querem viver, da maneira como escolheram viver, da maneira como dá na telha.

Um fator muito interessante é o material escolar das crianças, simplesmente NÃO EXISTE mochila da Hello Kit, ou do Batman é tudo de uma cor só sem personagens famosos. Os cadernos são todos padrões, nem capa dura não têm, os lápis são aqueles simples amarelos, os classificadores são os de plástico liso sem desenho e mole, tudo possuem um preço suuuuuuuper acessível, e digo novamente NÃO existe outra opção é isso que o país vende nas livrarias durante a época de volta às aulas e durante o ano todo, você não encontrará opções mais flash, mais chick. As crianças não competem para ver quem tem o material escolar melhor, ninguém vai pra casa se sentindo inferior por não ter a mochila, as canetas, os cadernos do personagem famoso do momento. 

Os pais não se sentem pressionados a ter que fazer milagre para conseguir pagar pelos materiais ‘da moda’ aos filhos, a escola não ensina as crianças a se rotularem entre os que possuem os materiais escolares mais 'flash' e os que não possuem, ao contrário ela não só ensina, como dá o exemplo, sobre os valores da verdadeira igualdade social.